Hipertensão e arritmias ampliam risco de morte súbita e reforçam alerta sobre desfibriladores

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A hipertensão arterial continua sendo uma das principais causas de doenças cardiovasculares no Brasil e, ainda assim, segue negligenciada por grande parte da população. Dados recentes indicam que apenas cerca de 30% dos pacientes diagnosticados mantêm o tratamento de forma adequada, um número considerado preocupante por especialistas.

O maior perigo, segundo cardiologistas, está no caráter silencioso da doença e na falsa sensação de controle quando os níveis de pressão parecem normalizados.

De acordo com o cardiologista Leandro Castelo, do Hospital do Coração Alagoano, muitos pacientes suspendem o uso da medicação por conta própria ou sequer sabem que são hipertensos. Quando o tratamento é interrompido, a pressão volta a subir de forma progressiva e sem sintomas evidentes, criando um cenário propício para complicações graves.

Hipertensão como porta de entrada para eventos fatais

Embora não tenha cura, a hipertensão pode ser controlada. Quando isso não ocorre, ela funciona como um fator central para o desenvolvimento de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e insuficiência renal. Muitas dessas complicações surgem de maneira abrupta, sem sinais prévios, o que explica por que a pressão alta é frequentemente associada a eventos súbitos e potencialmente fatais.

Esse risco aumenta ainda mais quando a hipertensão provoca alterações estruturais no coração, como o espessamento do músculo cardíaco. Esse processo favorece o surgimento de arritmias, distúrbios no ritmo dos batimentos que podem passar despercebidos por longos períodos.

Arritmias e o risco de morte súbita

As arritmias cardíacas afetam milhões de brasileiros e representam uma das principais causas de morte súbita no país. Estima-se que uma em cada quatro pessoas desenvolverá algum tipo de arritmia ao longo da vida. Algumas são benignas, mas outras são graves e podem levar à parada cardíaca se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo.

Segundo o cardiologista Antonio Amorim de Araújo Filho, a percepção da arritmia varia muito. Enquanto alguns pacientes sentem palpitações intensas, outros convivem com alterações frequentes no ritmo cardíaco sem qualquer sintoma. Esse é justamente o maior perigo: a arritmia pode evoluir silenciosamente até se manifestar de forma abrupta, com tontura, desmaio ou colapso cardiovascular.

A fibrilação atrial, por exemplo, atinge cerca de dois milhões de brasileiros e é mais comum em idosos e hipertensos. Além de comprometer o ritmo cardíaco, ela favorece a formação de coágulos no coração, que podem migrar para o cérebro e causar AVC.

Diagnóstico precoce salva vidas

O diagnóstico das arritmias começa com exames simples, como o eletrocardiograma, mas muitas vezes exige monitorização prolongada para que a alteração seja registrada. Holter de 24 horas, monitorização estendida e até dispositivos implantáveis permitem flagrar arritmias que não aparecem em exames pontuais.

Avanços tecnológicos, como relógios inteligentes capazes de registrar o ritmo cardíaco, ampliaram o rastreamento dessas alterações, mas não substituem a avaliação médica.

Identificar uma arritmia grave precocemente permite iniciar tratamentos que vão desde medicamentos e anticoagulantes até procedimentos como ablação ou implante de marcapasso, reduzindo significativamente o risco de morte súbita.

Onde o desfibrilador entra nessa equação

Mesmo com diagnóstico e acompanhamento, eventos agudos podem ocorrer. Em situações de parada cardíaca causada por arritmias malignas, o desfibrilador externo automático (DEA) é o recurso mais eficaz para restaurar o ritmo cardíaco nos primeiros minutos. A cada minuto sem desfibrilação, as chances de sobrevivência diminuem drasticamente.

Por isso, a presença de desfibriladores em locais públicos, ambientes de trabalho, academias, hotéis e áreas de grande circulação não é um luxo, mas uma medida essencial de segurança. Em muitos casos, a vítima não chega a tempo a um hospital. O atendimento imediato, ainda no local, é o que define o desfecho.

Prevenção diária e resposta imediata

Controlar a hipertensão, manter hábitos saudáveis, evitar tabagismo, excesso de álcool e sedentarismo são pilares fundamentais para reduzir o risco de arritmias e eventos graves. No entanto, a prevenção não pode se limitar ao indivíduo. Ambientes coletivos precisam estar preparados para agir quando a emergência acontece.

A combinação entre diagnóstico precoce, tratamento contínuo e acesso rápido a desfibriladores forma uma cadeia de proteção que salva vidas. Ignorar qualquer uma dessas etapas mantém o risco elevado, especialmente diante de doenças que evoluem em silêncio.

Hipertensão e arritmias não são apenas números em relatórios médicos. Elas representam um risco real e diário, muitas vezes invisível, que pode culminar em desfechos fatais sem aviso prévio. Investir em prevenção, acompanhamento médico e infraestrutura de emergência é uma responsabilidade compartilhada entre indivíduos, instituições e poder público.

Cuidar do coração exige constância, mas também preparo. Quando o inesperado acontece, ter um desfibrilador por perto pode ser a diferença entre perder uma vida ou oferecer uma segunda chance.

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