Trágica morte em resort revela urgência de desfibriladores em hotéis e áreas de lazer

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Sumário

A morte de um hóspede durante uma atividade recreativa em um resort em São Pedro (SP), registrada como morte suspeita após engasgamento com melancia, trouxe à tona uma discussão que vai além das circunstâncias específicas do caso.

A ausência de um desfibrilador externo automático (DEA) no local levantou questionamentos sobre a disponibilidade de equipamentos de emergência capazes de salvar vidas em hotéis, resorts, clubes e outras áreas de lazer em todo o país.

O incidente ocorreu na tarde de quinta-feira (11), quando o homem de 37 anos participava de uma competição de comer melancia.

Testemunhas informaram que a vítima começou a engasgar e, apesar de tentativas de primeiros socorros feitas por hóspedes e guarda-vidas, o socorro especializado dos bombeiros só chegou cerca de 25 minutos depois do evento. A vítima foi levada com vida à UPA de São Pedro, mas não resistiu à asfixia.

A experiência devastadora reacendeu o debate sobre a importância de desfibriladores em ambientes públicos e privados com grande circulação de pessoas.

O papel dos desfibriladores no atendimento a emergências

Um desfibrilador é um dispositivo que identifica ritmos cardíacos anormais e, quando necessário, administra uma descarga elétrica para restaurar o ritmo normal do coração. Exercendo um papel central na chamada cadeia de sobrevivência, esse equipamento é fundamental em casos de parada cardíaca súbita, uma condição em que o coração deixa de bombear sangue de forma eficaz.

Estudos mostram que o uso de um desfibrilador na fase inicial de uma parada cardíaca fora do ambiente hospitalar pode quase dobrar as chances de sobrevivência quando comparado a locais sem o equipamento instalado.

A cada minuto sem desfibrilação após uma parada cardíaca, as chances de sobrevivência caem de forma significativa. Um modelo publicado em revista científica indicou que, com desfibrilação dentro dos primeiros dois minutos, a sobrevivência pode chegar a mais de 50%, enquanto sem o uso do equipamento por quatro minutos ou mais, essa chance diminui acentuadamente.

Essa redução rápida nos índices de sobrevivência explica por que a presença do DEA pode ser decisiva em qualquer espaço público ou privado onde aglomerações ocorram.

Acesso a desfibriladores e intervenções de leigos

O conceito de desfibrilação de acesso público surgiu para permitir que pessoas sem formação médica pudessem usar um DEA em caso de emergência.

A tecnologia moderna desses aparelhos é projetada para ser intuitiva; assim que os eletrodos são colocados no tórax do paciente, o dispositivo analisa o ritmo cardíaco e orienta o usuário passo a passo sobre a necessidade de uma descarga elétrica.

Programas de acesso público ao desfibrilador foram implementados em várias partes do mundo, justamente porque muitos casos de parada cardíaca ocorrem longe de hospitais ou ambulâncias. A sobrevivência nesses casos depende de uma combinação de reconhecimento precoce, massagem cardíaca imediata, acionamento rápido dos serviços de emergência e, sobretudo, uso ágil do DEA.

Embora alguns estudos indiquem desafios na efetiva utilização de desfibriladores em situações reais, como uma baixa taxa de uso mesmo quando os aparelhos estão disponíveis, a evidência geral demonstra que sua presença aumenta significativamente as chances de sobrevivência e pode salvar vidas quando o tempo de resposta do socorro médico é longo demais.

Por que hotéis e áreas de lazer precisam dessa estrutura

Resorts, hotéis, clubes, parques aquáticos e espaços de eventos são ambientes onde pessoas de diferentes idades convivem em atividades que variam de relaxamento ao esforço físico, sempre com grande circulação de público. Em situações de emergência, como paradas cardíacas, engasgamentos graves ou outras crises cardiovasculares, o tempo até o atendimento profissional é um fator decisivo.

Ambulâncias e equipes de resgate muitas vezes demoram mais do que o necessário, como ocorreu no caso em São Pedro, e cada minuto sem intervenção adequada reduz as chances de recuperação neurológica e de vida da vítima.

A presença de desfibriladores nesses ambientes não substitui o atendimento profissional, mas preenche uma lacuna crítica no cuidado imediato. Equipamentos bem localizados, combinados com trabalhadores e frequentadores que saibam onde eles estão e como acioná-los, podem fazer a diferença entre vida e morte.

Em algumas localidades e programas públicos, iniciativas de acesso elevado a desfibriladores já se mostraram capazes de melhorar os resultados clínicos após paradas cardíacas fora de ambientes hospitalares quando comparados a locais sem esse recurso disponível.

Treinamento e informações ao público

A simples presença do DEA não é suficiente; a eficácia depende também do quanto o público se sente confortável em usá-lo em situações de emergência. Pesquisas recentes indicam que poucas pessoas sabem onde ficam os desfibriladores próximos a suas casas, trabalhos ou locais de lazer, mesmo quando eles estão disponíveis.

Isso reforça a necessidade de campanhas informativas e treinamentos básicos de primeiros socorros que incluam ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e uso de desfibriladores, capacitando leigos a agir com mais confiança.

Uma tragédia que evidencia uma oportunidade de salvar vidas

A morte do hóspede no resort paulista é uma perda que abalou familiares, amigos e a comunidade local. Ao mesmo tempo, o caso expõe uma oportunidade importante de melhorar a segurança de hóspedes e frequentadores em hotéis e áreas de lazer. A instalação de desfibriladores, combinada com treinamento e planos de resposta a emergências, pode transformar um ambiente vulnerável em um espaço mais seguro.

Em um cenário ideal, qualquer estabelecimento que receba grande público teria um plano integral de atenção à saúde, incluindo dispositivos de resposta imediata a emergências cardiovasculares. A adoção dessa prática não apenas preservaria vidas, mas também contribuiria para uma cultura mais ampla de prevenção e segurança em toda a sociedade.

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